Sobre a passagem do século XX para o século XXI

                time-3907894_960_720                   Em entrevista (que sugerimos a leitura!), a historiadora Lilia Schwarcz defendeu que a pandemia pela COVOD-19 marca a passagem do século XX para o século XXI. Ela entende que não somente o tempo do calendário é responsável pela marca de um século, mas, sobretudo, uma mudança de paradigma. A transição do século XIX para o XX teve um marco significativo, que foi a I Guerra Mundial, e foi caracterizado pelo avanço da tecnologia. Certamente, a pandemia por coronavirus será o marco da passagem para o século XXI, em que a tecnologia mostrou seus limites. Mas, o que está por vir? Que transformações sociais suscitarão após a pandemia?

              Não podendo fazer previsões para o futuro, faço reflexões olhando para o passado, e o faço por meio das palavras de um poeta. Quais são as características do século XX? Quais são os sinais destes tempo de transição?

             Escolhi 3 textos escritos pelo nosso (tão nosso!) Mario Quintana, publicados nos anos 1970 em jornais locais, e reunidos no livro “Caderno H” (1977). São escritos curtos, mas carregados de significados de de possibilidades de leituras da nossa história.

PÁGINA DE HISTÓRIA

        De uma História Universal editada no Século XXXIII: “Os homens do Século Vinte, talvez por motivos que só a miséria explicaria, costumavam aglomerar-se inconfortavelmente em enormes cortiços de cimento. Alguns atribuem ao fato a não se sabe que misterioso pânico ao simples contato com a natureza; mas isso é matéria de ficcionistas, místicos e poetas… O historiador sabe apenas que chegou a haver,em certas grandes áreas, conjuntos de cortiços erguidos lado a lado sem o suficiente espaço de arejamento, que poderia alojar vários milhões de indivíduos. Era, por assim dizer, uma vida de insetos –  mas sem a segurança que apresentam as habitações construídas por estes;

O SUPREMO CASTIGO

           Em todos os aeródromos, em todos os estádios, no ponto principal de todas as metrópolis, existe – quem é que nunca viu? – aquele cartaz…

          De modo que, se esta civilização desaparecer e seus diversos e bárbaros sobreviventes tiverem de recomeçar tudo desde o princípio – até que um dia também tenham seus próprios arqueólogos – estes hão de sempre encontrar, nos mais diversos pontos do mundo inteiro, aquela mesma palavra.

        E pensarão eles que Coca-Cola era o nome do nosso Deus!

HISTÓRIA DO FIM DO MUNDO

              5 minutos de pois que todas as nações do mundo decretaram mobilização geral, houve a imobilização geral.

 

      Que outros textos literários podem inspirar nossas leituras desta transição?  A literatura não é utilitária, mas nos ajuda sim a trocar as lentes que revisam a vida.

Michelle Pires

Referências:

QUINTANA, Mario. Caderno H. 2. ed. São Paulo: Globo, 1977.

SCHWARCZ, Lilia. 100 dias que mudaram o mundo: para historiadora Lilia Schwarcz, pandemia marca fim do século 20 e indica os limites da tecnologia. Entrevista por Brandalise e Rovani, 9 abr. 2020. Disponível em: <https://www.uol.com.br/universa/reportagens-especiais/coronavirus-100-dias-que-mudaram-o-mundo/#tematico-7&gt;. Acesso em: 17 abr. 2020.

Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/photos/tempo-surreal-rel%C3%B3gio-outono-3907894/

 

 

 

 

 

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