Confissão de poeta

Tinha uma época

Em que eu não gostava de poesia.

Ou melhor, achava:

Eu pensava que poesia

Era rima

E que rimas eram só

Palavras bonitas e vazias

Num balanço de mar

Enjoativo.

 

Mal sabia eu

Que poesia era muito mais

Que as rebuscadas lengalengas

De paixões platônicas,

Vomito purpurinado.

 

A poesia canta

O que a boca não fala

Que são os olhos marejados,

Os punhos cerrados

E os sorrisos segurados.

 

Eu não gostava de poesia

Só porque não sabia

Que também era poeta

E que, portanto, e todavia

 

Não existe poesia

Vazia.

 

 

Texto da "Sociedade dos poetas vivos".

 

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