O caderno de Gabriel

A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente. Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega a história, em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não-dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; (…) paisagens, pessoas e fatos podem ser poéticos: são poesia sem ser poemas.

Otávio Paz, em O arco e a lira, editora Cosac Naify.

 

A poesia está na vida, é necessário “ver a vida com poesia!”, nos convida o Aluno da Professora Melissa Klein,  Gabriel Gonçalves do 4º ano H. Gabriel nos contou que procura olhar a poesia das coisas ao seu redor, e usa a escrita para tentar representar a beleza que vê.

“Comecei a escrever poesia por acaso. Um dia quando cheguei em casa com minha mãe eu disse a ela que queria ficar a sós com o vento. Minha mãe achou bonita a minha frase e anotou.

No outro dia, no recreio, eu lembrei do verso e fiquei rabiscando poemas, mostrei para todos e fiquei feliz, então, comecei a fazer mais. A gente sente uma coisa e busca colocar no texto aquele sentimento. As vezes eu tenho essa vontade que surge do nada. Uso esse caderno (a capa do caderno de Gabriel ilustra esse texto acima) para registrar os textos que vão surgindo.

Eu vejo o mundo e tento pensar no que traz felicidade às pessoas. Tem muita gente que é boa e que pode mudar o que não é bom no mundo.”

Os alunos do 4º ano estão lendo, Memórias de índio, de Daniel Munduruku, editora Edelbra. O livro, de acordo com a editora, “abraça a missão de “desentortar” o pensamento da sociedade brasileira em relação aos povos originários, Daniel Munduruku convida seus leitores a mergulhar no rio de sua própria história. Apresentados em breves crônicas, cada capítulo (deste livro e de sua vida) está repleto de memórias e aprendizados, narrados afetuosamente. As vivências da infância, os anos no seminário, a descoberta do amor e a descoberta de si, enquanto escritor, tudo a granel. Tudo (quase) verdade”.

Gabriel nos contou um trecho do livro que lhe chamou a atenção sobre a forma como você pode escolher como ver o mundo, com ou sem poesia.

“No livro que estamos estudando, Munduruku nos conta uma história sobre o saber da floresta: um pajé disse que dentro de nós existem dois cachorros, um bom e outro mau, ao preguntarem para ele “qual dos dois cachorros venceria uma briga?” ele respondeu, “aquele que eu alimentar”.

Gabriel procura alimentar bons sentimentos e pensa em influenciar o mundo com eles!

 

Abaixo, trechos do lindo caderno de Gabriel:

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